31.3.06

Capotando


Fui ver Capote e achei um pouco meia-boca. Corretinho, bem filmado, é verdade, com o Philip Seymour Hoffman se esbaldando num papel "feito pra ele". O Philip sem dúvida é muito bom ator e gosto bastante dele, mas parece já estar entrando naquela "síndrome de De Niro", "reinterpretando-se" ad nauseum, com os maneirismos afetados que ele domina tão bem. A linha que separa um especialista em personagens afetados e o estigma pode ser tênue...
A
impressão que fica é a de que o filme foi um pretexto para arranjar um papel principal pro Seymour Hoffman levar um Oscar. Pena que ao invés de explorar o arco da vida e das frivolidades estimulantes que cercam um personagem tão rico como foi o polêmico Truman [apenas sugeridas no filme], optou-se por se ater a um making of pseudo-intimista do A Sangue Frio [que é mesmo um livraço], uma decisão talvez movida por expectativas de marketing, acerca do impacto que a "pegada sensacionalista" teria, com o final apresentando aquela mensagem relativamente "redentora". Sei lá, achei meio frustrante. Mas pode ter sido só o velho problema de conflito de expectativas...

2 comentários:

Anônimo disse...

Genial, vc resumiu de modo brilhante todos os sentimentos que me acometeram assistindo esse filme.

dani disse...

olha, eu gostei, até.

também acho que a vida do truman capote deveria ter sido muito mais/ melhor explorada. ele foi uma criatura interessantíssima, per se. mas gostei do "making of", assim.
ficou um filme fácil. e eu não ando com humor pra filmes que não sejam fáceis, ultimamente.